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Fotógrafo e pessoa retratada conferindo uma autorização de uso de imagem
Foto: OFICINA / Unsplash

Direito de imagem, explicado sem juridiquês: o que você precisa saber antes de fotografar alguém

Contratos e direito de imagem · 2 min de leitura · Gustavo Txai · 26 de setembro de 2026

No Brasil, o direito à própria imagem tem base constitucional. Está previsto no artigo 5º da Constituição Federal como um direito individual e é tratado pelo Código Civil (artigo 20) como um direito da personalidade. Em termos simples, a imagem de uma pessoa pertence a ela, e não a quem a registra.

Câmera profissional usada para registrar imagens
Foto: Phil Hearing / Unsplash

Isso costuma surpreender quem parte de uma intuição comum: a de que, se você tirou a foto, a imagem é "sua" por completo. Existem duas camadas separadas nessa relação. Uma é o direito autoral sobre a fotografia como obra, que em geral pertence a quem a produziu (e é regulado pela Lei de Direitos Autorais, a Lei 9.610/98). A outra é o direito de imagem da pessoa fotografada, que pertence a ela, independentemente de quem segurou a câmera. Publicar ou usar comercialmente a imagem de alguém sem autorização, mesmo sendo o autor da foto, pode violar um direito que não é seu para dispor sozinho.

Existe uma exceção relevante e frequentemente mal compreendida: espaços públicos e eventos abertos. Fotografar pessoas numa multidão, numa manifestação ou num evento público tende a ter mais margem para uso jornalístico ou documental sem autorização individual. Essa margem, porém, não é absoluta, e diminui bastante quando o uso passa a ser comercial ou quando a pessoa se torna o foco principal da imagem, em vez de parte de um cenário coletivo.

O cuidado aumenta quando há menores de idade envolvidos. Nesses casos, a autorização precisa vir dos responsáveis legais, e o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê proteção adicional à imagem e à identidade de crianças e adolescentes. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também entra em cena, já que a imagem de uma pessoa identificável é considerada dado pessoal.

Pessoas em um set onde autorizações de imagem são necessárias
Foto: Moses Malik Roldan / Unsplash

Na prática, a diferença entre um trabalho tranquilo e um problema jurídico costuma estar em ter formalizado, por escrito, a autorização de uso antes de publicar ou entregar o material. Um termo de autorização bem feito especifica a finalidade do uso (redes sociais, portfólio, campanha comercial), o prazo de validade, os meios em que a imagem pode circular e se o uso é remunerado ou gratuito. Autorizações genéricas ("autorizo o uso da minha imagem") oferecem proteção mais frágil do que autorizações específicas.

Este texto é uma explicação geral e não substitui orientação jurídica para casos concretos, especialmente em trabalhos comerciais de maior valor ou que envolvam menores.

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